O País Real e o País Oficial – Ode ao Brasil de Verdade!

“Não é desprezo pelo que é nosso, não é desdém pelo meu país. O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco. A sátira de Swift nas suas engenhosas viagens cabe-nos perfeitamente. No que diz respeito à política, nada temos a invejar ao reino de Liliput.”
– Machado de Assis

Em meio às ruas vibrantes e aos sorrisos genuínos, encontra-se o verdadeiro coração do país. É nas mãos calejadas do trabalhador, no olhar esperançoso da criança e no abraço caloroso dos amigos que reside a essência da nação. Este país real, com suas cores e sons, é um mosaico de histórias e sonhos, onde a solidariedade e a resiliência florescem.

Entretanto, ao cruzar os portões do país oficial, adentramos um teatro de absurdos. As máscaras da política, com suas promessas vazias e discursos ensaiados, transformam-se em uma comédia de erros. As figuras de autoridade, com suas posturas pomposas e gestos exagerados, parecem personagens saídos de uma farsa. A burocracia, com seus labirintos intermináveis, desafia a lógica e a paciência dos cidadãos.

Neste cenário burlesco, a sátira de Swift encontra um lar perfeito. As engenhosas viagens de Gulliver, com suas críticas afiadas e observações mordazes, ecoam nas salas de poder e nos corredores do governo. O reino de Liliput, com suas disputas mesquinhas e intrigas ridículas, não está tão distante da nossa realidade política.

Mas, apesar das caricaturas e das farsas, o país real persiste. Ele resiste nas pequenas gentilezas do dia a dia, nas lutas por justiça e igualdade, e na esperança de um futuro melhor. É este país, com suas imperfeições e belezas, que merece nosso amor e dedicação.

© Beatriz Esmer

Dry Pastel Art – Brasil

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