The Vertigo of Sprouting

The afternoon did not begin; it accumulated. It was a weight of light, a thick yellow that pasted itself to the windowpanes, waiting. Inside the dark, quiet earth of the chest, something was happening without permission. It was an almost painful itch of existence. The Earth danced to life as mixtures of rain and sun stirred my dormant seeds. It was not a grand, theatrical dance, but a secret, microscopic shudder. A root is a blind finger searching for God in the mud. To be born is a violence of light piercing through the heavy, wet soil. I felt the … Continue reading The Vertigo of Sprouting

Hate Never Left—It Learned to Disguise Itself!

Misogynistic violence, racism, and hate speech are nothing new—they have long been embedded in society. But today, they surface with alarming audacity. What has changed is their form: once whispered, they are now shouted across social media, anonymous emails, and even political speeches. When female lawmakers face threats of rape and murder, when Black individuals are subjected to racial slurs, and when minorities are persecuted, these are not “isolated incidents.” We are witnessing the same fascism as always, merely repackaged. Those who refuse to connect the dots are either deliberately ignoring history or, worse, complicit in a power structure that … Continue reading Hate Never Left—It Learned to Disguise Itself!

O Verbo e a Matéria

Dei por mim pensando na gramática das coisas vivas. Como somos rápidos em aprisionar o fluxo em substantivos, em cercar o mistério com arame farpado e chamá-lo de meu. Meu homem, minha mulher, minha vida. O pronome possessivo é uma tentativa burguesa e desesperada de conter o desabamento. É o medo do escuro, o medo de que o outro, ao desviar os olhos por um segundo que seja, deixe de existir para nós. Ou pior: que nós deixemos de existir para ele. Mas o amor… ah, o amor não se deixa mobiliar. Ele tem a consistência perigosa da geleia de … Continue reading O Verbo e a Matéria

A Matéria Viva do Avesso

O silêncio da sala ferve de entrelinhas. Você mexe no café, desvia os olhos, e de repente o espaço entre nós se torna um abismo de mal-entendidos cotidianos. Quero te dizer algo que vai além da gramática dos dias úteis. Olha para mim. Por favor, não me trate como se eu fosse comum, nem me repreenda porque não sou. É exaustivo tentar caber nas gavetas que você comprou para mim. Há uma urgência em existir que você, na sua pressa de classificar o mundo, parece não ver. Vire o rosto na minha direção. Olhe para mim quando eu lhe disser … Continue reading A Matéria Viva do Avesso

My love,

How can I even begin to speak? To name the things that heavy my chest would be to ruin them, to turn something wild and formless into rigid words. I cannot tell the woes that inhabit my being. They do not have names; they only have a weight, a slow, thumping pulse that lives just beneath my skin. If I open my mouth to explain, I am afraid only a gasp will come out. Or worse, silence. You see, I am a trap door. I am a threshold. I cannot stay, not because I want to leave, but because I … Continue reading My love,

Migalhas de Mim

Quando eu tinha uns dez anos de idade, comecei a me perguntar como as pessoas diziam adeus quando estavam apaixonadas. Olhava ao redor, procurando a fórmula, o rito. Na adolescência, via os jovens atingidos pelo amor se abraçando nos corredores do ensino médio antes das aulas. Havia uma urgência trágica ali; suas mentes eram incapazes de compreender a eternidade de um terceiro período sem o outro. Um drama pequeno, mas que para eles pesava como o mundo. Em casa, a tradução era outra, mais violenta e ruidosa. Meu pai e minha mãe costumavam dizer eu te amo batendo portas na … Continue reading Migalhas de Mim

My Dear,

You knew, didn’t you? You knew from the very beginning that my heart was not a house, but a haunting. It is a frightening thing to look at someone and see their ruins, yet you did not turn away. Instead, you made a home out of it anyway. You did not ask for repairs; you simply walked inside the dark. You sat near the dying fire of my existence and fed it with your passion, until you became something physical—a searing sensation burning through my veins, an ache that finally felt alive. Your presence, so quiet and yet so absolute, … Continue reading My Dear,

A Árvore & Eu

Olho para as árvores secas no inverno e, de repente, não há mais distância entre o que sou e o que vejo. Sou eu ali, exposta em galhos que parecem ferir o céu cinzento com sua nudez. Quem passa com pressa, com o casaco fechado até o pescoço, enxerga apenas o vazio. Dizem: “está morta”. Como o mundo é rápido em decretar a morte do que apenas silencia! Mas a verdade, essa coisa que me escapa sempre que tento nomear, mas que sinto latejar nas têmporas, não se entrega aos olhos. O visível é quase nada. Por baixo da terra … Continue reading A Árvore & Eu

As Linhas na Palma da Mão

O salão estava imerso naquela penumbra clássica, um tom de chá esquecido na xícara. Olhei para as minhas próprias mãos, percebendo nelas os mesmos nós e os mesmos caminhos de linhas que um dia estudei na palma da mão dela. A memória, esse bicho caprichoso que espreita atrás das cortinas, trouxe o eco das idades. Uma cronologia invisível, desfiada como um colar de pérolas antigas. Aos 5 anos, você diz: “Mamãe, eu te amo…” A infância tem cheiro de Sol e de colônia barata. A voz é um sopro puro, sem arestas. Aos 10 anos, você diz: “Mamãe, eu te … Continue reading As Linhas na Palma da Mão