Se eu soubesse… Ah, se eu soubesse colher, entre os campos do impossível, aquela única palavra que não se quebra. Se eu pudesse encontrar o vocábulo que tem o peso de um segredo e a leveza de uma asa, juro que me arriscaria pelos labirintos do silêncio apenas para trazê-lo à luz.
Eu a tomaria entre os dedos como quem segura uma gota de orvalho. Lapidaria sua forma até que ela perdesse toda a sua aresta bruta, transformando-a em uma joia de névoa e de brilho, algo tão raro que o tempo não pudesse apagar. E então, com a delicadeza de quem enlaça o horizonte com uma fita de seda, eu a entregaria ao meu Amor.
Não seria uma palavra de mármore, mas de benção; uma palavra que tivesse o hálito das manhãs descalças e o repouso das luas que se miram no mar. Seria um abraço feito de fonemas, um refúgio de paz onde o dia a dia não pudesse ferir.
Essa palavra, meu Amor, pousaria em teus lábios como um sorriso que nasce sem pressa. Ela seria o antídoto contra a solidão do mundo e contra a loucura que tenta desbotar as cores da vida. Pois há uma doçura que só o ritmo da alma conhece, um amor que não cabe na gramática, mas que transborda na essência do ser.
E assim, envolta em carinho e proteção, essa palavra seria o teu amuleto. Para que em cada aurora tu encontrasses um motivo para o riso e para a entrega. Porque, no fim das contas, nada resta além daquelas palavras que, por terem sido escolhidas com o coração, transformam-se em pontes de luz, fazendo-nos sentir, enfim, verdadeiramente vivos. 🌿
©️ Beatriz Esmer
