Sentia-me estrangeira de mim mesma, até que entendi: a casa não é tijolo, é o osso do que somos. Acredito, com uma convicção que quase me fere, que a integridade do lar determina a integridade da vida. É ali, no silêncio entre quatro paredes, que tentamos equilibrar o peso do mundo, esse mundo que gira torto, descompassado, e que insiste em nos roubar de nós mesmos.
Proteja sua casa! Proteja seu coração! Proteja seus laços!
Há uma verdade muda que me assombra: não se pode exportar o que não é cultivado no próprio jardim. O que não é “feito em casa” não tem alma, é apenas um simulacro de existência. E, no entanto, quão distraídos fomos? Gastamos o nosso fôlego tentando avançar no trabalho, ou simplesmente tropeçando nas contas para sobreviver, ou talvez perseguindo o ouro que se desmancha entre os dedos… e permitimos que o lar sofresse. A casa ficou oca, e nós ficamos exaustos.
Confúcio, com aquela sabedoria antiga que parece uma carícia e um tapa, já dizia: “A força de uma nação deriva da integridade do lar.” Se a fundação treme, o país inteiro oscila dentro de nós.
É tempo de voltar. De focar no que é essencial e íntimo. É hora de convidar a espiritualidade para retornar aos cantos escondidos da casa, para os vãos das portas e para o mistério das relações. Quero abrir as janelas e dar as boas-vindas à luz, aquela claridade que não apenas ilumina, mas revela o que estava esquecido.
Não sei quanto a vocês, meus amigos, mas para mim… chegou o instante da grande poda. É tempo de simplificar. Deixar o supérfluo cair para que o núcleo, enfim, respire.
©️ Beatriz Esmer
