Palavras Despedaçadas

Você me pede palavras, e eu as tenho. Palavras que dançam no vazio, sem rima ou métrica, como um poeta errante sem destino. Elas emergem da minha mente como folhas soltas ao vento, carregando os fragmentos do meu coração partido.

Essas palavras são como tinta derramada, manchando os recantos da minha alma. Elas ecoam nas paredes do meu ser, buscando uma utilidade, uma razão para existir. Mas talvez sua única função seja a de expressar o indizível, dar voz aos pedaços quebrados que habitam em mim.

Às vezes, a loucura se esconde nas entrelinhas dessas palavras. Elas se entrelaçam, formando um labirinto de significados, e eu me perco em sua teia. Por que elas giram na minha cabeça? Por que persistem, mesmo quando o silêncio seria mais misericordioso?

Talvez seja porque as palavras são a nossa tentativa desesperada de compreender o incompreensível. Elas são faróis na escuridão, guias incertos que nos levam adiante. E, assim como a tinta derramada, elas deixam marcas indeléveis em nossa jornada.

Então, aqui estão minhas palavras, despedaçadas e imperfeitas. Elas não têm resposta, mas talvez, apenas talvez, sejam a chave para desvendar os mistérios do coração humano.

©️ Beatriz Esmer

Leave a comment

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.