O que restou…
Era uma vez uma mulher que, após o fim, não se tornou nada, mas sim um resto. Um resto que respira. Ela morreu, é verdade, mas esqueceu-se de parar de existir. O amor, ao partir, não levou apenas a mala; levou a moldura do mundo, deixando-a entregue à nudez de uma existência sem paredes. Sobrou-lhe, então, a convivência, essa rotina viscosa, com os próprios abandonos. Depois do amor, ela desaprendeu a pertencer. Não havia mais o porto do mar nem o chão da terra. O céu? O céu era apenas um teto que pesava, uma superfície azul onde a dor … Continue reading O que restou…