Em meus espaços vazios, onde antes ecoavam erros e angústias, agora florescem sementes de transformação. Despi-me das camadas superficiais, revelando minhas cicatrizes e vulnerabilidades. Não há mais medo da própria face no espelho; apenas aceitação e curiosidade.
Movida por uma força interna, reuni os fragmentos dispersos. Alegrias se entrelaçaram com decepções, criando um mosaico colorido de experiências. As loucuras que antes me assombravam agora são minhas aliadas, lembrando-me de que a sanidade nem sempre é o caminho mais interessante.
Renovada, sou como um livro aberto, páginas viradas pelo vento da vida. Metade preenchida, mas a outra metade permanece em branco, esperando por aventuras, amores e desafios. Leio a mim mesma com olhos gentis, sem julgamentos, apenas gratidão por cada capítulo escrito.
E assim, a pergunta ecoa: quem sou eu? A resposta não está em rótulos ou definições, mas na jornada contínua de descoberta. Sou a soma de todas as minhas partes, a dança entre luz e sombra, a busca incessante por significado.
E você, caro leitor, quem é você quando se lê inteiro?
©️Beatriz Esmer
