Lições

A História sussurra, em tom solene: “cuidado, as guerras por território são as mais perigosas”. E então, curva-se para revelar um segredo ancestral: teu corpo também é geografia. Ombro que carrega montanhas sem tremer, ventre que oscila entre o murmúrio e o inchaço de mirtilos sob o luar, quadris que desenham mapas de oceanos intrépidos, coxas que entram em fúria e canção — trovões que embalam o mundo. Mas há mãos que insistem em conquistar, em golpear “terras prometidas” até que a pele vire pó, até que o sagrado se perca em cicatrizes.

A Biologia intervém, urgente: “chega”. Inspira — pois não sabes o quanto cada célula luta para que este sopro seja possível. Expira — pois já há rios vermelhos demais correndo nas fronteiras deste corpo. É tempo de render-se à paz, de honrar a vida que persiste, teimosamente, em cada veia.

A Física acalenta-te com a leveza das estrelas: “silêncio, pequena viajante”. Até o universo carrega suas marcas — estrias de luz rasgando o céu escuro, lembretes de que a expansão é sempre uma obra em movimento. Não há perfeição, apenas movimento. Apenas beleza em devenir.

A Astronomia convida-te a um ritual sob o dia claro: “perdoa-te desta vez”. Deixa que o sol dissolva as culpas antigas e abraça teus anéis de Saturno — aquelas curvas que orbitam tua essência, feitas de poeira cósmica e histórias que a gravidade não conseguiu apagar. São a prova de que até os corpos celestes carregam seus cinturões de resiliência.

A Química, então, declara com doçura incandescente: aqui, não precisas guardar espaço para ninguém. Este teu corpo é reação que não cabe em frasco, é elemento que transcende a tabela periódica. Permite-te ocupar, sem medida, cada centímetro do existir. Cresce. Transborda. Brilha. ❤️🙏🏾

© Beatriz Esmer

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