Monólogo

Eu pensei.
Pensei que em 2025 a gente já tivesse aprendido alguma coisa.
Não muito — só o básico. O óbvio.
Como respeitar. Como cuidar. Como calar quando o que vem da boca é veneno.

Mas olha… olha o que fizeram.
Deixaram o mal sair do subsolo, se infiltrar nas telas, nas conversas de domingo, nos olhos das crianças.
E a gente achando que o futuro seria limpo, transparente, leve.
Tudo mentira. Ou talvez… ingenuidade minha.

Dizem que o povo está decepcionado, que é por isso que votam no ódio, que reproduzem violência como quem respira —
mas desde quando decepção virou desculpa pra crueldade?

Eu pensei que a tecnologia nos libertaria.
Mas parece que ela só acelerou o que já era podre.
Agora o preconceito tem conexão 5G.
A indiferença se disfarça de opinião.
E a brutalidade? Ah… ela virou pauta. Trend. Plateia.

Eu pensei que protegeríamos nossas crianças.
Mas a gente entrega um celular e chama de amor.
Fecha a porta. E torce pra que o algoritmo as eduque melhor do que nós.

Às vezes, eu me pergunto…
será que fui só eu que pensei?

Porque eu sonhei com um planeta curado.
Com líderes que falavam baixo, mas diziam alto.
Sonhei com ruas seguras, não vigiadas.
Com discussões acaloradas, não armadas.
Com plural, não polar.

Mas parece que sonhar virou um ato subversivo.
Pensar, então? Heresia.

E eu — ainda assim — continuo pensando.
Porque se eu parar, eles vencem.
E eu não vim até aqui pra aplaudir ruínas. 😔

©️ Beatriz Esmer

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