Em um futuro próximo …

Por um momento, desconhecido para mim, em um futuro distante — se é que você acredita que exista — vou me levantar aos barulhos, entre sonhos, ou acordar com a luz do sol sacudindo minha alma de volta à pele. Vou despertar para esquecer, ou para lembrar. Ou talvez ambos, intermitentemente.

De tempos em tempos, acordamos e dormimos — dia após noite, noite após dia — por um instante, um olhar, uma respiração. Por acaso, por escolha, por padrão. Nos arrastamos de volta ao sono confortável, pois a verdade é grande demais para se deixar entrar toda de uma vez. É preciso tempo — anos, décadas, vidas, encarnações. Ela brota da árvore da vida. Alguns botões florescem; outros murcham e morrem. E tudo renasce, repetidamente, esquecendo-se de lembrar.

Essa dança, esse jogo, essa coisa que chamamos de vida… Sempre foi assim? Sempre dormimos tanto?

Acho que não, pois me lembro de um momento em minha alma em que todos sonhávamos despertar para nossa realidade: preta, resignada, miscigenada, nua e crua… nunca satisfeita.

Estamos despertando, ou ainda sonhando?

Aqui estou — esperando, crescendo, brotando. Devagar, com paciência, recordo coisas que um dia soube. Teimosamente, resisto ao crescimento e à mudança que inevitavelmente devo seguir.

Minha alma tem um plano mestre.

Eu acredito que amanhã vou acordar… e o dia será diferente. ❤️

©️ Beatriz Esmer

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