O Som Que Virou Eternidade

No silêncio do mundo, um som se despede.
Não foi um acorde comum — foi um universo inteiro.
Hermeto, alquimista dos ruídos e das almas,
fez da barba um instrumento, da água uma sinfonia,
e do Brasil, um palco para o impossível.

Albino de luz própria,
via cores onde o mundo via sombras.
Falava com peixes, encantava sapos,
e ensinava que a música não tem jaula,
não tem pauta, não tem fim.

Hoje, o vento sopra em dó maior.
Os pássaros fazem solos em sua homenagem.
E cada xícara, cada panela, cada folha que vibra
carrega um pouco do seu espírito livre.

Você não partiu, Hermeto.
Você se dissolveu no som.
E agora, cada nota que tocarmos
será um aceno para o céu onde você improvisa com as estrelas. 🙏🏾❤️

©️ Beatriz Esmer

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