Crônica: O Cafuné e o Fogo
Era fim de tarde no sertão, quando o sol se deitava com preguiça por trás das coxilhas, tingindo o céu de um rosa que parecia ter sido soprado por Deus. Dona Mariinha, sentada na cadeira de palha, fazia cafuné no cabelo branco de seu Zé, que cochilava com a cabeça encostada em seu colo. A mão dela, sabida de anos e silêncios, ia desenhando caminhos no couro cabeludo dele como quem escreve cartas que não precisam de papel. “Cafuné é coisa de alma,” dizia ela, sem levantar a voz, como quem conversa com o tempo. “Tem que saber onde toca, … Continue reading Crônica: O Cafuné e o Fogo