Carta a um povo que teme a liberdade

Vocês dizem querer liberdade. Gritam por ela nas ruas, nas redes, nas urnas. Mas quando ela bate à porta, vocês hesitam. Trocam a coragem pela conveniência, a autonomia pela tutela, o pensamento pela obediência. E então, quando o jugo retorna, vocês choram — como se não tivessem ajudado a forjá-lo.

Libertar um povo que prefere a escravidão é como tentar acender uma chama em madeira molhada. A faísca existe, mas o fogo não pega. Porque vocês não querem o calor — querem o conforto da escuridão conhecida.

A liberdade exige escolhas. E escolhas exigem responsabilidade. Mas vocês preferem que outros decidam. Preferem líderes que pensem por vocês, que digam o que é certo, que apontem culpados e ofereçam soluções fáceis. E assim, vendem sua consciência por migalhas de segurança.

Vocês não são oprimidos apenas por sistemas — são oprimidos por sua própria preguiça de pensar. Por sua recusa em questionar. Por sua paixão por ídolos e slogans. Por sua nostalgia de correntes.

E quando alguém ousa libertá-los, vocês o chamam de radical. De ameaça. De inimigo. Porque a liberdade verdadeira não é confortável — ela é incômoda, exigente, feroz. Ela não se adapta ao medo. Ela o confronta.

Então, não me digam que querem ser livres. Mostrem. Recusem o silêncio. Desprezem o conformismo. Destruam os altares da servidão voluntária. Porque enquanto preferirem a escravidão, serão escravos — mesmo que o mundo inteiro lhes ofereça asas.

Com desprezo pela passividade,
Um espírito livre!

©️ Beatriz Esmer

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