Não procure a poesia apenas nas estantes empoeiradas ou no grafite das calçadas esquecidas. Olhe para o mapa de veias que cruzam o dorso de suas mãos; ali corre um ritmo mais antigo que qualquer métrica grega. Sua carne é a estrofe que a vida insiste em escrever todos os dias.
Cada cicatriz em sua pele é uma metáfora de superação, um verso que não rima, mas que sustenta a estrutura do poema. O suor que brilha na têmpora após o esforço é a tinta fresca de um soneto inacabado sobre a persistência. Não há separação entre o sopro e a palavra: o modo como você caminha pelo mundo, distribuindo o peso do corpo sobre a terra, é a cadência de uma narrativa que só você pode narrar.
A Beleza do Efêmero
Muitos tentam imortalizar o belo em mármore ou tinta, esquecendo-se de que a obra-prima mais vibrante é aquela que pulsa, aquece e envelhece.
- O olhar: Uma antologia de saudades e desejos.
- O toque: A tradução imediata de um afeto que o dicionário não alcança.
- O riso: Uma onomatopeia de luz que rompe o silêncio do tédio.
Deixe que seus poros respirem a liberdade de serem apenas o que são. Sejamos, pois, poetas de nós mesmos — não escrevendo com canetas, mas vivendo de tal forma que cada gesto seja uma rima rica e cada suspiro, um ponto final que apenas prepara o início de uma nova e esplendorosa página. 🤲🏽
©️Beatriz Esmer
