Águas Profundas
Senhor, eu me afoguei no salgado de mim. Não foi uma vez, foram inúmeras, e em cada uma delas o silêncio era um peso de chumbo. Eu remava, entende? Remava com essa fúria cega de quem quer chegar a lugar nenhum, ora contra, ora a favor, perdendo-me no labirinto das correntes que eu mesma inventei. Havia um erro de ritmo em meus pulsos. Eu lançava a âncora no exato instante em que o horizonte me chamava para a partida; e partia, num susto, quando o porto era o único repouso possível. Tive a fome que rói o osso e tive … Continue reading Águas Profundas