O Jardim dos Afetos
Dizia o mestre que a gente não é dono de nada. O jardim, se você reparar bem, é uma lição de desapego escrita em verde. Tem gente que olha para uma orquídea e diz: “Esta flor é minha”. Pobre ilusão. O pronome possessivo é uma gaiola de ouro que a gente inventa para tentar estancar o fluxo da vida. As plantas, coitadinhas, não entendem de cartório. Elas não são pronomes; elas são verbos. Amar é verbo. É o ato contínuo de regar, de observar o silêncio do broto, de respeitar o tempo da floração que não obedece ao nosso relógio … Continue reading O Jardim dos Afetos