Fome

Às vezes, eu minto. Minto por uma necessidade quase física de esconder o que transborda, porque a verdade, essa coisa nua, costuma assustar os desatentos.

Mas a realidade é que eu tenho fome de conversas profundas, daquelas que arranham a superfície e chegam no osso da alma. O que me fere, o que me gela, é a indiferença. A indiferença é um deserto onde nada cresce, e eu sou feita de urgências. Eu amo o amor, não o amor das palavras bonitas, mas o amor que é ato, que é presença.

Sinto um deslumbramento quase infantil por rir muito, por essa explosão que desarruma o rosto e organiza o peito. E as pessoas gentis sem motivo? Elas me salvam. Há uma beleza metafísica na consideração, na empatia, esse jeito de olhar para o outro e reconhecer ali um universo inteiro.

Eu me perco e me encontro em quem se importa com as pequenas coisas. Um gesto minúsculo pode ter o peso de uma constelação. Amo quem não tem medo de ser ridículo por excesso de afeto, amo pessoas que amam e demonstram isso. Sem economia. Sem as amarras do orgulho. Porque no fim, o que sobra é apenas o que fomos capazes de sentir e, corajosamente, entregar. 🙏🏾

©️ Beatriz Esmer

©️ BEsmer

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