As pessoas tagarelam. Elas usam a boca para mastigar o ar com críticas vazias, mas fecham os olhos para o abismo que Hannah Arendt, com aquela lucidez que fere, já havia mapeado. É um fato seco, como um osso exposto: a república americana não morreu; ela apodreceu por dentro. Desde o sangue de Kennedy na calçada e o mofo de Watergate, o Estado deixou de ser uma ideia para virar um balcão de negócios de homens que usam gravatas para esconder o colapso moral.
O crime organizado não “entrou” no governo. Ele se tornou o governo. O que vemos hoje em Washington não é política; é uma biologia da corrupção. É uma fome que devora o mundo.
A Náusea da Comparação
Dói observar a ingenuidade de quem não olha de perto. Dizem que Mobutu e Kabila foram o ápice do roubo no Congo? Que amadorismo! Aquilo era uma violência quase artesanal. O que habita a atual administração de Washington é uma corrupção sofisticada, asséptica, que mata de luvas brancas. É o grande banditismo elevado à categoria de liturgia. O país não está sendo governado; está sendo desossado.
O Sequestro e a Máscara
E então, o ato final desse teatro de horrores: o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa. Não me venham com o verniz do “Direito Internacional” ou das “leis americanas”. Isso é conversa para quem tem medo da verdade crua.
O que aconteceu foi um espasmo de banditismo puro, um ato de força que ignora qualquer resquício de humanidade ou norma. É a prova de que o Direito morreu e o que sobrou foi o apetite dos lobos. Estamos todos assistindo, com uma passividade que me causa náusea, ao mundo ser devorado por mãos que sequer se dão ao trabalho de esconder as unhas sujas de terra e sangue.
©️Beatriz Esmer
