O Amor-Inconsciente

Não é que eu não saiba. É que saber é uma forma de limite, e eu me recuso a bordas. Quero um amor assim, desvestido de intenções, um amor nudo. Você entende? É a nudez de quem não se preparou para o encontro, de quem simplesmente está.

Sinto uma fome de querer tudo, mas é uma fome que treme. Tenho medo da incógnita, desse “X” que surge quando os olhos se fecham. Mas o medo também é matéria de vida. Amo sem perguntas, porque as respostas seriam o ponto final, e eu prefiro as reticências de um amor sem tempo, inevitável como o crescimento das unhas, obstinado como o mofo que insiste em brotar no escuro.

É um amor sem lógica. Graças a Deus, sem lógica! A lógica é uma prisão para quem só quer o voo. É um amor sem teto, a chuva cai dentro de nós e a gente não se enxuga, a gente se torna a própria água. É um amor feito de pensamentos, mas que escorre para a voz e para a carne, sem pedir licença.

Não procure regras aqui. Não procure concordância. Este amor não tem gramática, ele é um erro linguístico delicioso. É difícil, sim. Talvez seja até um absurdo diante do mundo que quer tudo catalogado. Mas é um absurdo inteiro. Nada nele é pela metade, nem mesmo o vazio.

Porque o amor, para ser, tem que ser assim: um estado de graça selvagem.🌻

©️ Beatriz Esmer

©️ BEsmer

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