O Deserto dos Outros

Antigamente, na inocência dos meus dias, eu temia o isolamento. Pensava, com o pavor dos que ainda não se conhecem, que o pior destino seria findar os dias a sós, no silêncio de uma sala vazia.

Como eu estava enganado.

Descobri que a solidão não é a ausência de gente; é a presença da ausência. O pior não é estar só, mas estar acompanhado e, ainda assim, sentir-se náufrago. É o peso de palavras que não alcançam o outro e de olhares que nos atravessam como se fôssemos feitos de vidro ou de nada.

Estar com quem nos faz sentir sós é a maior das orfandades. É ser um estrangeiro dentro da própria casa, um tédio compartilhado que dói mais que o silêncio absoluto. No fim, prefiro a minha própria companhia, esse “eu” que ao menos me reconhece, ao ruído oco de quem está ao meu lado, mas a mil léguas de distância. 😉

©️ Beatriz Esmer

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