A história costuma ser escrita pelos vencedores, mas a realidade é desenhada pelas cicatrizes que ficam no chão. Quando observamos a escalada de agressão e os ataques direcionados ao Irã e seus vizinhos, as justificativas geopolíticas empalidecem diante da crueza dos atos. Existe uma máxima que atravessa os séculos e que, infelizmente, nunca pareceu tão atual: saquear, degolar, roubar e destruir.
O Império das Falsas Nomenclaturas
Para o mundo, vende-se a imagem de uma coalizão estratégica, de uma manutenção da ordem ou da proteção da democracia. Mas para quem vive sob o fogo, esses atos recebem o falso nome de império. Não se trata de uma construção civilizatória, mas de uma mecânica de pilhagem e apagamento.
A estratégia é cruel em sua simplicidade: onde as potências passam, elas não deixam estrutura ou progresso; elas deixam o vácuo. E é exatamente nesse ponto que a ironia se torna trágica: onde fazem um deserto, chamam isso de paz. A ausência de vida e a destruição total da infraestrutura são apresentadas como o “fim do conflito”, quando na verdade são apenas o silêncio do extermínio.
A Herança de Herodes
A capacidade humana de sentir parece ter sido substituída por uma frieza técnica e calculista. O que vemos hoje, o sofrimento de inocentes e a morte de crianças em meio aos escombros, evoca uma imagem bíblica de crueldade: o antigo rei Herodes.
O Infanticídio Moderno: Assim como no relato antigo, o sacrifício de vidas jovens é feito em nome da manutenção de um poder que teme perder o controle.
A Falência da Empatia: A “capacidade humana de sentir” tem se mostrado, paradoxalmente, em sua forma mais sombria: a indiferença ou o prazer na submissão do outro.
O que Estados Unidos e Israel executam não é uma busca por equilíbrio global, mas uma demonstração de força que ignora o valor da vida humana. Enquanto o mundo assiste, o vocabulário da guerra continua a inverter significados. Precisamos dar os nomes corretos aos atos: o que chamam de “paz” é a desolação, e o que chamam de “império” é, muitas vezes, apenas o rastro de um saque e assassinatos institucionalizados.
©️ Beatriz Esmer
