Sou tomada pelo ir e vir das coisas; das pessoas, de cada sopro de vida que entra e sai sem pedir licença. É um movimento de maré: o que sobe e o que desce, o empurrão e o recuo, esse ritmo que não é meu, mas que me habita.
Lá fora, os carros correm com uma urgência cega, um fluxo contínuo que não para para ser olhado. E os “olás”, e os “adeuses”… tudo o que acontece nesse intervalo, nesse entre-lugar que fica espremido entre o início e o fim. Cada pedaço de tempo é marcado com uma precisão cruel, como as aspas que encerram uma frase que eu ainda não terminei de entender.
Eu me pergunto, com uma mudez que me dói: por que a chegada é sempre leve, quase etérea, e nunca fere? E por que a partida, esse descolar de uma pele na outra, sempre deixa essa marca funda? O fim tem um peso que o começo desconhece.
©️Beatriz Esmer
