I have learned …

I have learned that your hands disappear when you are a child and the toys move on their own. I have learned that if you are still enough birds and people trust you. I have learned that there is a tiny keyhole in my chest and if you unlock it, words and papers and books fall out. I have learned that there are a thousand monkeys with typewriters in my heart, and each one is madly in love with you… ❤ ©️ Beatriz Esmer Continue reading I have learned …

Tardes

Às tardes,leio nas cores da lua nascenteas palavras de um poema que não escrevo maisE o enredode uma história diferenteda escrita pelas horas do dia. Às tardes,não escrevo as palavras da luae o poema fica lá, no olhar que a contemplae no silêncio quente do poente. Às vezes, a lua é regresso à poesia … 🌙 ©️ Beatriz Esmer Continue reading Tardes

Strongness

I grew out of a childhood that might seem to you somewhat bizarre, throbbing, of an almost mystical difficulty. There, where time made no sense, I stumbled upon experiences that didn’t just touch, but flayed what I called my soul. I carried with me an ideal world — one of those we invent so as not to die of thirst. But that world collided, with a dull and irreconcilable sound, against the reality of my flesh, of my day. It is all so humbling, and I don’t know how to explain the mechanics of it, my dear, this mystery that … Continue reading Strongness

A Economia do Invisível

Houve um tempo em que as horas eram contadas em moedas de ferro, pesadas e frias, mas o tempo, esse bicho que rói o invisível, está mudando de pele. Eu sinto sob a pele uma urgência que não é minha, ou talvez seja a única coisa que realmente me pertence. Um dia, meu amor, o amor será a moeda. Não essa palavra gasta que se diz entre um gole de café e um adeus apressado, mas a substância bruta, o valor absoluto com que trocaremos existências no mercado do mundo. Olharemos uns para os outros e o que restará na … Continue reading A Economia do Invisível

The Architecture of the Unlit

The light is a vanity, a frantic insistence on being sure, on naming the chair, the wall, the hand. But I have found that certainty is a sterile thing, a desert of the obvious. Not all dark places need light. To flood a room with brilliance is often to evacuate its soul, to commit a small, bright violence against the mystery of existing. I prefer the corners where the shadows have grown thick and heavy, like fruit overripe with its own secret. In those places, the air doesn’t just sit; it pulses. It waits. Some dark places are full of … Continue reading The Architecture of the Unlit

O Avesso do Azul

Escrevo-te porque não sei o que fazer com o que sinto. Tenho nos poros dos sonhos o turvo das minhas rimas, uma espécie de viscosidade poética que me gruda à vida sem que eu a compreenda. É um estado de graça ou de agonia? Não sei. Sei apenas que sinto o infinito dos teus silêncios como se fosse uma matéria física, um peso que me habita e me esvazia ao mesmo tempo. Às vezes, perco-me no deserto de um desejo órfão. É um desejo que não tem pai nem mãe, que não pede licença; ele simplesmente está lá, latejando no … Continue reading O Avesso do Azul

O Útero do Mundo

Haveria espaço para tanta gente em um só corpo? Pergunto-me, enquanto o silêncio da casa me observa. Tantas mulheres. Elas não estão apenas ao meu redor; elas são o avesso da minha pele. De quem é o sangue que estou carregando? É um sangue espesso, escuro, carregado de segredos que eu nunca soube que guardava, mas que reconheço no jeito exato de fechar os olhos contra a luz. Não é uma carga, é uma ocupação. Sou o território onde elas resolveram, enfim, descansar ou gritar. Sinto a força de tantas vidas gloriosas que, antes de mim, teceram o amanhã com … Continue reading O Útero do Mundo

O Voo que nos Come

É de uma mudez assustadora, minha filha. Esse espaço que range dentro da gente, vasto como um deserto que não termina nunca, onde as asas da alma, se é que têm nome, se abrem sem pedir licença. É um voo que não faz vento. Eu te digo: a gente anseia por isso com uma fome que não é de comida. É uma fome de ser. E dói, sabe? Dói quando a gente esquece que as asas estão lá, guardadas entre as costelas, mofando de falta de uso. Quando sinto falta delas, não é ausência: é esquecimento. Eu me esqueci de … Continue reading O Voo que nos Come

Window …

My window of lifeAnd as I watch it going though in the people eyesI ask myself, who am I? Who are you?who must I be? Who must you be?To write these words with pure purityMy words float past the mountains and echo off the seaMy mind is like a open door, and my poems are my airOpen wide and speak out to set these words free, the gab is a gift and the mind is a treasure… So writing what I feel is the greatest pleasure…my ecstasy….❤️ ©️ Beatriz Esmer Continue reading Window …

O Preço da Vida e a Contabilidade do Sangue

É uma ironia trágica, mas profundamente reveladora, que na maior democracia do mundo a indignação pública pareça ter trocado o pulso pelo bolso. Quando o debate sobre uma guerra deixa de ser sobre o luto e passa a ser sobre o déficit, testemunhamos uma falência moral camuflada de “responsabilidade fiscal”. A Mercantilização do ConflitoPara o cidadão médio americano, a guerra tornou-se um produto de consumo distante. Como não há mais o risco do recrutamento forçado (o draft), o corpo do “outro”, seja ele o soldado americano voluntário ou o civil estrangeiro, é invisível. O que é visível, entretanto, é o … Continue reading O Preço da Vida e a Contabilidade do Sangue