O Transbordamento
Eles me disseram — com essa leveza de quem distribui conselhos que não lhes custam nada — que eu deveria despejar o meu coração em tudo o que fizesse. Como se o coração fosse um jarro, ou uma jarra de água fresca, ou talvez um poço de reserva inesgotável. E eu, que sempre fui um pouco tola diante da vida, obedeci. Obedeci com uma voracidade quase animal. Despejei. Despejei e despejei e despejei. Deixei que a substância do que sou — essa coisa viscosa, pulsante, irremediável que chamam de coração — escorresse pelas frestas das horas, pelas dobradiças dos dias, … Continue reading O Transbordamento