A Morada do Verbo
Eu quisera habitar uma casa tecida de poesia. Mas não uma construção de tijolos e cal; antes, uma estrutura feita daquela matéria vaga que sobra entre uma palavra e outra. Ali, em cada canto, o ritmo não apenas soa, ele pulsa, como um coração que esquecemos de vigiar. As paredes não sustentam o teto; elas sustentam o sentido, adornadas por versos que me olham enquanto eu os leio. Nessa casa, o ar tem a espessura de uma metáfora. É um ar difícil de respirar, às vezes, de tão cheio. O chão? O chão é pavimentado por estrofes firmes, onde cada … Continue reading A Morada do Verbo