A Entrega
O amor, meu filho, não é um porto. É o naufrágio que nos ensina, pela primeira vez, a respirar debaixo d’água. Sinto essa lucidez agora, como se estivesse diante de um espelho que não reflete o rosto, mas o avesso do rosto. O amor retira. Ele chega com mãos leves de quem vai acariciar, mas, no toque, ele arranca. Ele nos tira as certezas, aquelas paredes mofadas que chamávamos de casa, e nos deixa ao relento, sob o céu aberto de uma dúvida que brilha. É uma troca cruel e santa: ele nos dá raízes novas, mas apenas depois de … Continue reading A Entrega