Último Ato
Ela aprendeu cedo, talvez cedo demais, que a vida não espera aplausos. Que mesmo os instantes mais sublimes se despedem sem aceno. Foi então que decidiu: viveria como se tudo fosse uma despedida. Porque tudo é. A xícara de café pela manhã ganhou o peso de um ritual de adeus. O perfume de quem passa na calçada tornou-se memória antes mesmo de desaparecer. Cada olhar trocado, um relicário. Cada riso partilhado, um testamento deixado ao tempo. As pessoas achavam estranho. “Mas por que tanta solenidade num simples pôr do sol?” — ela sorria. Mal sabiam eles que todo pôr do … Continue reading Último Ato