O Esgarçar do Verbo
Como se escreve “eu te amo” quando a caneta não é mais um prolongamento da mão, mas um objeto estranho, um osso inerte entre dedos que desaprenderam a gravidade? Há um cansaço que não é do corpo, é de uma lucidez excessiva. A mão pesa. A tinta é um líquido mudo que se recusa a sangrar o que o peito retém. Meu coração tornou-se de uma avareza absoluta. Ele guarda os sentimentos como quem guarda um segredo que, se revelado, o mataria. É um egoísmo sagrado: ele bate apenas para dentro, fechado em sua própria redoma, recusando-se à partilha obscena … Continue reading O Esgarçar do Verbo