Emergimos. É uma palavra líquida, não acha? Alguns de nós brotam das circunstâncias mais dolorosas como se estivéssemos finalmente nascendo de nós mesmos, com essa compreensão profunda e quase insuportável de quem somos. E, pior, ou melhor, do que queremos.
O que chamam de erro? Eu chamo de fome. Nossos erros foram necessários; tinham a urgência do hálito. Nossas frustrações, os fracassos que nos deixaram secos, as tentativas hesitantes de um crescimento que mais parecia um tropeço no escuro… tudo isso era a matéria-prima. O progresso não é uma linha reta, é um estado de ser que se desdobra, às vezes com dor.
“A cada passo do caminho, aprendemos. Passamos exatamente pelas experiências necessárias para nos tornarmos quem somos hoje.”
Mas cuidado. Há uma armadilha na luz. Não podemos achar que o sofrimento é divino, nem devemos ter o mau gosto de glamorizá-lo. O sofrimento é apenas o que é. Às vezes, é preciso apontar o dedo: o sistema, esse monstro capitalista que nos molda e nos tritura, é um coautor cruel da nossa angústia. Ele está lá, operando no silêncio das nossas carências.
No entanto, o passado não é um erro. Ele é apenas o rastro da vida em movimento. O único erro real, o erro que nos paralisa, é confundir o fato com a verdade total. A verdade está além do que nos aconteceu. A verdade é o que fazemos com o que sobrou.
A vida é um soco suave. ❤️🙏🏾
©️ Beatriz Esmer
