O Alento das Horas Claras

Não espere de mim o inventário das sombras, nem o rastro amargo das lutas que travo com o meu próprio pensar. Deixo as crises de identidade guardadas no fundo da mala, junto com o desejo de sumir, pois o que me move agora é o gesto de entrega.

O que coloco em suas mãos é a minha simplicidade, uma leveza com afeto, feita de propósito para não assustar o seu caminhar. Se há dualidade em mim, ou se as dúvidas sobre o mundo me assaltam a alma, eu as silencio. Prefiro lhe dar a flor, e não o espinho que me furou o dedo.

Guardo para o meu silêncio as fragilidades e as inseguranças que me habitam. Se por acaso eu lhe falar de uma tristeza, entenda: não é queixa, é apenas um jeito manso de pedir um pouco mais de aconchego.

O que lhe ofereço é o que tenho de mais raro e precioso; o bom humor, colhido nas manhãs de sol, a paciência, cozida em fogo brando no fogão a lenha, a melhor parte de mim, porque sei que você merece o descanso de uma alma em paz.

Saiba que esta oferta não é comum. É pão fresco, é café quente, é o meu coração posto à mesa, sem o peso do mundo, apenas com a claridade do meu querer. ❤️

©️ Beatriz Esmer

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