My Dear,

You knew, didn’t you? You knew from the very beginning that my heart was not a house, but a haunting. It is a frightening thing to look at someone and see their ruins, yet you did not turn away. Instead, you made a home out of it anyway. You did not ask for repairs; you simply walked inside the dark. You sat near the dying fire of my existence and fed it with your passion, until you became something physical—a searing sensation burning through my veins, an ache that finally felt alive. Your presence, so quiet and yet so absolute, … Continue reading My Dear,

A Árvore & Eu

Olho para as árvores secas no inverno e, de repente, não há mais distância entre o que sou e o que vejo. Sou eu ali, exposta em galhos que parecem ferir o céu cinzento com sua nudez. Quem passa com pressa, com o casaco fechado até o pescoço, enxerga apenas o vazio. Dizem: “está morta”. Como o mundo é rápido em decretar a morte do que apenas silencia! Mas a verdade, essa coisa que me escapa sempre que tento nomear, mas que sinto latejar nas têmporas, não se entrega aos olhos. O visível é quase nada. Por baixo da terra … Continue reading A Árvore & Eu

As Linhas na Palma da Mão

O salão estava imerso naquela penumbra clássica, um tom de chá esquecido na xícara. Olhei para as minhas próprias mãos, percebendo nelas os mesmos nós e os mesmos caminhos de linhas que um dia estudei na palma da mão dela. A memória, esse bicho caprichoso que espreita atrás das cortinas, trouxe o eco das idades. Uma cronologia invisível, desfiada como um colar de pérolas antigas. Aos 5 anos, você diz: “Mamãe, eu te amo…” A infância tem cheiro de Sol e de colônia barata. A voz é um sopro puro, sem arestas. Aos 10 anos, você diz: “Mamãe, eu te … Continue reading As Linhas na Palma da Mão

Mon Chéri e o Espelho Invisível

Mon chéri, olhe para mim. Ou melhor, olhe através de mim, para esse vazio que insistimos em preencher com formas exatas. Sinto uma espécie de melancolia mansa, quase uma náusea, ao ver que você aceitou, sem lutar, esse fardo pesado: o dever de ser mais jovem, mais magra, mais bronzeada, mais alta. Perfeita. Que palavra mais lisa, mon chéri. A perfeição não tem arestas onde a alma possa se agarrar; ela é um deserto de mármore. Eu me desculpo por você acreditar que a vida exige essa geometria rígida. O corpo não foi feito para ser uma moldura estática; ele … Continue reading Mon Chéri e o Espelho Invisível

Petit cœur…

Tant de choses sont contenues dans un cœur au cours d’une vie.Tant de choses sont contenues dans un cœur en une journée, une heure, un instant.Au bout du compte, nous ne sommes totalement ouverts à personne—Ni mère ni père,Ni épouse ni époux,Ni amant, ni enfant, ni ami.Nous ouvrons des fenêtres à chacun,Mais nous vivons seuls dans la maison du cœur. Peut-être est-ce ainsi que cela doit être.Peut-être ne pourrions-nous pas supporter d’être si nus,Par peur d’un cœur sans cesse meurtri. Quand nous sommes jeunes,Nous croyons qu’un jour viendra une personneQui nous chérira et nous soutiendra toujours.Quand nous sommes plus âgés, … Continue reading Petit cœur…

The Alchemy of Dread

It is a terrifying thing, this sudden awareness of the dirt. I fell. I am face down in the soil, and it tastes of dust and my own small failures. My fears do not merely accompany me; they stretch out in the evening sun, long and quiet, like shadows that have grown larger than the body itself. Yet, looking at this scattered debris, I feel a strange, almost violent resolve. It is a mosaic of a soul that yearns—but for what? For transformation. My heart beats with a rhythm that hurts, heavy with the hope of a healthier tomorrow. Fear … Continue reading The Alchemy of Dread

O Espaço que Eles Ocupam

Olho para eles de longe, mas de uma distância que me habita. Eu observo os homens em silêncio. Há uma crueza quase animal na forma como se instalam no mundo, uma certeza que me espanta e, no fundo, me cansa. Eles não pousam as coisas; eles as abandonam. Deixam os pratos sobre as mesas da sala de jantar como quem deixa um rastro de conquista inconsciente, restos de uma fome que nunca pede desculpas. Quando saem, batem as portas. Não por raiva, o que seria compreensível, mas porque ignoram o peso do próprio impacto. O estrondo do batente ecoando no … Continue reading O Espaço que Eles Ocupam

Wait for me once

As you close your eyes tonight and the weight of the day slips away, hold me in the quiet spaces of your mind. Keep me there as you fall asleep, and I promise I will try with everything I have to meet you. Let’s dream together of an eternal sleep—not one of dark endings, death, or destruction—but a beautiful, quiet escape. Just our escape from a sinner world we once loved to hate, a world that tried so hard to sell us its own cheap version of value and faith. We don’t need their truth; we have ours.Just wait for … Continue reading Wait for me once

Junho, 2013

A rotina me devora com seus dentes implacáveis. Mas o verdadeiro espanto não é a dor; é a ausência dela. Eu me anestesio, precisamente porque não dói. E essa falta de sofrimento legítimo é o que me horroriza, é o que me esvazia. A cada semana, tateio no escuro por pequenas distrações — uma nova série, outro livro, um poema mastigado, um esboço inacabado, um velho amigo que me espelha. Nunca o bar, nunca a festa. O barulho dos outros me cansa antes mesmo de existir. Fico sempre à espera: as mesmas taxas, as próximas férias, uma dívida que me … Continue reading Junho, 2013