O Incêndio Silencioso
Quanto tempo suporta o peito,essa fornalha trancada a sete chaves?Onde o afeto era rio, agora é leitode cinzas mornas e dores graves.É um cansaço que a alma não traduz,ver o rosto de um irmão tornar-se estranho.Onde havia o abraço, hoje há a cruz,e o peso do silêncio tem o seu tamanho.Não sou feito de ferro, nem de herança bruta,meu corpo é carne, grito e ferida.E nessa amarga e solitária luta,até a água se torna pedra endurecida.Pois se eu abrir a boca e as mãos soltar,se eu der ao mundo a voz do meu tormento,o fogo que guardo não vai apenas … Continue reading O Incêndio Silencioso