Crônica: O Homem que Fugiu de Si
Preenchia-se de vazios como quem tenta calar o eco de uma ausência. Era a falta que lhe oprimia o peito, uma ausência sem nome, sem rosto, mas com peso. Acompanhava-o como sombra, agravando-se durante as noites, quando o silêncio da cidade não conseguia abafar o barulho interno. Vivia para esquecer-se. Corria para evitar-se. O elevador vazio, o escritório cheio, a academia, o engarrafamento, as ansiedades, o almoço, o jantar, o medo e o olhar distante — tudo expediente para jamais encontrar-se consigo. Era um mestre em escapar, um fugitivo de si mesmo, urbano e solitário na selva de concreto. E … Continue reading Crônica: O Homem que Fugiu de Si