Junho, 2013
A rotina me devora com seus dentes implacáveis. Mas o verdadeiro espanto não é a dor; é a ausência dela. Eu me anestesio, precisamente porque não dói. E essa falta de sofrimento legítimo é o que me horroriza, é o que me esvazia. A cada semana, tateio no escuro por pequenas distrações — uma nova série, outro livro, um poema mastigado, um esboço inacabado, um velho amigo que me espelha. Nunca o bar, nunca a festa. O barulho dos outros me cansa antes mesmo de existir. Fico sempre à espera: as mesmas taxas, as próximas férias, uma dívida que me … Continue reading Junho, 2013