A Enormidade de Estar
Tocar o próprio peito era, para mim, um ritual de inauguração. Sentir, sob o tremor asmático da caixa torácica, o motor implacável do coração, o fole dos pulmões e o fluxo do sangue, não era apenas biologia; era o susto de existir. Eu me espantava. Havia ali uma força que não vinha dos astros ou de magias externas, mas de uma matéria densa e vibrante. Uma enormidade de poder que eu carregava sem saber o nome. Não era o poder de um deus, mas o poder humano de persistir, de simplesmente continuar. No cansaço do fôlego curto, a resiliência era … Continue reading A Enormidade de Estar