O Vazio que Transborda
Sento-me. E, ao sentar, percebo que a madeira dessas cadeiras não é apenas madeira; é um corpo que desistiu de ser árvore para virar espera. Elas estão ali, descascadas, expondo o ferro enferrujado como quem expõe as próprias veias após um longo cansaço. É uma nudez que não envergonha. Dizem para sentar-se com os que falharam. Eu entendo. É que quem nunca falhou ainda está muito ocupado com o brilho da própria armadura, e o brilho cega. Quem falhou, ah, esse já quebrou o espelho. No lugar do reflexo perfeito, restou o espaço. E o espaço é a única coisa … Continue reading O Vazio que Transborda