Eu, que me Pergunto
A pergunta me corta o ar, como uma faca que não fere, mas que abre. Será que me honro? Pergunto-me, com esse espanto de quem, pela primeira vez, se vê refletida numa vidraça suja de tempo. Honrar-me. A palavra parece pesada demais, um hábito solene que não cabe na minha urgência de ser. E esta existência — este privilégio, ou esta sentença, quem dirá? — tem sido por mim reconhecida? Caminho por entre as horas com a desatenção de quem pisa em ovos, sem saber se a vida é o ovo ou a casca que deixo pelo caminho. É que … Continue reading Eu, que me Pergunto