A Língua Áspera dos Dias sem Amanhã
É grave. É de uma gravidade que dói na raiz dos dentes, como se o mundo tivesse se quebrado por dentro antes mesmo de sabermos o que era inteiro. Há uma infância que foi sumariamente mutilada. Não houve tempo. Mal aprenderam o gosto doce do açúcar, e já foram obrigados a mastigar o ferro frio da angústia. São crianças que crescem rodeadas por perda, por uma incerteza que tem o peso de uma lápide e uma angústia que não cabe nos pequenos ombros. Eles não brincam de roda; ou melhor, a roda deles é o cerco invisível do medo. Antes … Continue reading A Língua Áspera dos Dias sem Amanhã