O Ofício de Sentir
Trago aqui minhas mãos carregadas de memórias, não como quem carrega um peso, mas como quem sustenta o próprio vazio do tempo. São mãos que pesam de tanto nada conterem, senão o rastro do que passou. Ouço-as repetidamente escrever — e é estranho que as mãos falem aos ouvidos do espírito. Elas escrevem sobre sonhos, essa arquitetura do impossível que construímos para não ter de olhar para o chão. Escrevem sobre a beleza, que nada mais é do que o cansaço de não saber o que as coisas são. E escrevem sobre a alma, essa palavra que usamos para nomear … Continue reading O Ofício de Sentir