Relógio
Carrego em mim um tempo que não passa, uma espera que não cessa, como se o relógio tivesse desaprendido a mover os ponteiros. Sou o intervalo entre o gesto e o arrependimento, entre o toque e a ausência. Não falo, não por medo, mas porque cada palavra seria um erro a mais no mapa já torto da minha memória. Sou o eco de um nome que ninguém mais chama, o vulto que atravessa a sala quando a luz se apaga. Sou o que resta quando o amor se retira — não a ausência dele, mas o espaço deformado por sua … Continue reading Relógio