A Visita na Soleira
Se uma criança aparecesse agora à sua porta — gelada, assustada, exausta de uma travessia interminável, com os olhos turvos de angústia, o peito tomado por uma raiva ancestral ou uma confusão sem nome —, você teria a coragem de recusar a entrada? Você exigiria que ela voltasse apenas quando dissolvesse o próprio pavor, quando trocasse a revolta por uma gratidão polida, quando curasse a ferida aberta da própria indignidade? Onde estaria a nossa humanidade se exigíssemos um recibo de iluminação antes de estender um agasalho ao frio que treme? Com aquela voz espiritual, firme e autoritária, será que mandaríamos … Continue reading A Visita na Soleira