O Grito Silencioso

Escrevo para ver. Não o que está fora, mas o que, de tão real, torna-se indizível. Há um “isso” em mim que range. E seja o que for — mesmo sob o olho severo que vigia e patrulha — a página aceita o meu horror. Na brancura do papel, o vil e o sagrado são a mesma coisa. O sádico, o pornográfico, o fornicador… todos eles sou eu num instante de descuido. É uma grandeza que me esmaga e, ao mesmo tempo, uma modéstia tão pálida que a moral do mundo chama de “tecido morto”. Mal sabem eles que a … Continue reading O Grito Silencioso

O Instante Além do Infinito

Acordei com o sol ainda tímido,procurando o contorno do teu rosto no escuro da manhã.Havia um silêncio no quarto que não era vazio,mas sim uma espera — aquela “liberdade de ser”que só encontro no reflexo dos teus olhos. Falei com a voz de quem descobre o mundo pela primeira vez,com aquela urgência de quem sabe que o “agora” é um relâmpago. Não respondi com a lógica dos dias comuns,pois o amor não cabe em medidas ou calendários.Aproximei-me, sentindo o calor da tua pele,e no mistério daquele encontro absoluto,Eu sorri e sussurrei no teu ouvidos:— Não quero apenas o tempo, quero … Continue reading O Instante Além do Infinito

These are the words of the poet, his lovers: all pregnant with dreams …

The poet’s words linger like whispers of a secret shared only between kindred spirits. Each syllable, each verse, carries the weight of a thousand unspoken emotions, woven delicately into a tapestry of dreams. His lovers, not of flesh and bone, but of ink and parchment, dance in the ethereal realm of his creation. They are the embodiment of his deepest desires, his fears, his hopes — all pregnant with dreams waiting to be birthed into the world. With pen in hand, he breathes life into their existence, shaping their essence with the stroke of his quill. In the poet’s embrace, … Continue reading These are the words of the poet, his lovers: all pregnant with dreams …

A Enormidade de Estar

Tocar o próprio peito era, para mim, um ritual de inauguração. Sentir, sob o tremor asmático da caixa torácica, o motor implacável do coração, o fole dos pulmões e o fluxo do sangue, não era apenas biologia; era o susto de existir. Eu me espantava. Havia ali uma força que não vinha dos astros ou de magias externas, mas de uma matéria densa e vibrante. Uma enormidade de poder que eu carregava sem saber o nome. Não era o poder de um deus, mas o poder humano de persistir, de simplesmente continuar. No cansaço do fôlego curto, a resiliência era … Continue reading A Enormidade de Estar

O Esgarçar do Verbo

Como se escreve “eu te amo” quando a caneta não é mais um prolongamento da mão, mas um objeto estranho, um osso inerte entre dedos que desaprenderam a gravidade? Há um cansaço que não é do corpo, é de uma lucidez excessiva. A mão pesa. A tinta é um líquido mudo que se recusa a sangrar o que o peito retém. Meu coração tornou-se de uma avareza absoluta. Ele guarda os sentimentos como quem guarda um segredo que, se revelado, o mataria. É um egoísmo sagrado: ele bate apenas para dentro, fechado em sua própria redoma, recusando-se à partilha obscena … Continue reading O Esgarçar do Verbo

Silent and present

In the quiet whispers of the wind, in the gentle dance of leaves, lies a truth that transcends mere knowing. How can one articulate the need to feel the steadfast presence of trees, their silent guardianship over time? It is a knowing beyond knowledge, a connection that defies explanation. To awaken to the pulse of a different rhythm, to embrace the cadence of the day and the season, is to surrender to a deeper harmony, a symphony conducted by nature herself. The hourglass of minutes fades into insignificance, eclipsed by the grandeur of moments measured in the shifting hues of … Continue reading Silent and present

People will love …

I’ve learned that most people will love you on their own terms. They’ll love you when it’s beneficial to them, being selfish with their hearts and loving you from a distance. They’ll do right by you if it means you’ll stay down for them. They’ll love you when it feels right, and most will leave whenever it no longer does. And that’s okay. Sometimes, the people we love with our whole hearts decide that’s not enough for them—and that’s okay. The only people who deserve to stay in your life are those who love you unconditionally. Who love you up … Continue reading People will love …

O Encontro com o Inevitável

A mim me parece, filho, que o amor quase sempre encontra os despreparados. E só saberemos se somos um deles se o amor vier a nos encontrar. Eis dolorosa ironia, não haver outra maneira de nos livrarmos da dúvida sem atravessá-la… Porque o amor não é uma visita que se anuncia; é uma invasão. A gente passa a vida polindo a sala, arrumando as almofadas da alma, acreditando que a prontidão é uma espécie de escudo. Que tolice. A prontidão é uma porta trancada por dentro, e o amor não bate, ele simplesmente já está no corredor, olhando-nos com olhos … Continue reading O Encontro com o Inevitável

L’Instant de l’Éternité

Je ne compte pas. Compter, c’est déjà s’absenter. Les années ne sont que des chiffres qui tombent, comme des écailles sèches. Pourtant, doucement, avec une fatalité qui ressemble à une respiration, je vieillis. C’est une métamorphose muette. Mes cheveux blanchissent, oui, mais ce n’est qu’une couleur. Une couleur qui tente d’expliquer l’inexplicable. Au milieu de cet effritement, il y a le cœur. Ce cœur qui ne sait pas s’arrêter. Il aime avec une obstination sauvage. Il y a ces êtres, ces présences qui me touchent dans l’obscur de l’âme, là où les mots n’ont plus de prise. Ils sont mon … Continue reading L’Instant de l’Éternité

Quando o Discurso de Ódio Vem de Cima

A história nos ensina, com cicatrizes profundas, que o ódio não nasce espontaneamente no coração de uma sociedade; ele é cultivado. Ele precisa de solo fértil, de clima favorável e, crucialmente, de sementes plantadas por quem detém o poder da palavra. Quando um líder, seja ele um chefe de estado, um gestor corporativo ou uma figura de influência, autoriza o ódio através de sua retórica, ele não está apenas expressando uma opinião pessoal. Ele está legitimando comportamentos, derrubando barreiras morais e dando permissão para que o desprezo se transforme em ação. O efeito mais insidioso dessa autorização não é a … Continue reading Quando o Discurso de Ódio Vem de Cima