Selvagem
Nasceu selvagem, sim. Não por desamor ao mundo, mas por excesso de vida que não coube nos vincos do papel nem nas margens do relógio. Havia nela uma curiosidade antiga, quase dolorosa, como se os olhos guardassem o clarão de mil estrelas cansadas de escuro. O que fazer com alguém assim? Quem tem coragem de fechar em gaiola o que aprendeu a dançar com o vento e a conversar de igual para igual com a chuva?— Eu brinco com o fogo da minha própria verdade — disse-me ela, e a voz não era som, era pulso, era uma convicção que … Continue reading Selvagem