O que eu faço quando o tempo para de me cobrar e sobra apenas o silêncio? Eu me sento diante do abismo de papel e tento capturar o que passou. Eu escrevo poemas sobre segundas chances.
É um exercício estranho, esse de costurar o que já se rasgou. Cada verso é uma tentativa de perdoar o fato de que sou apenas gente. Escrevo para não me perder na própria lucidez, enquanto travo a maior de todas as batalhas: a de tentar não me odiar demais.
O ódio, às vezes, é um bicho manso que dorme no tapete da sala; outras vezes, é uma fome de ser outra pessoa. Mas aí, num relance, percebo que a segunda chance não é para o que aconteceu, é para quem eu sou agora.
©️ Beatriz Esmer
