O Aprendizado das Mãos
Perdoe-me pelo despropósito de querer lhe tocar com tanta fúria. É que minhas mãos, tão costumadas com os entulhos e as miudezas sem brilho do mundo, desajustam-se. Diante de algo que guarda a pureza e a beleza das coisas Primeiras — assim como você —, minhas mãos perdem o juízo. Agigantam-se de um jeito torto, desajeitado. Em vez de ninar, elas engasgam, esmagam e quebram. Sou um bicho feito de cascas grossas tentando ninar uma asa de borboleta. Há uma demência em mim, você sabe. Uma esquisitice que precisa de tão pouco amor para sobreviver e, no milésimo de segundo … Continue reading O Aprendizado das Mãos