O Aprendizado das Mãos

Perdoe-me pelo despropósito de querer lhe tocar com tanta fúria. É que minhas mãos, tão costumadas com os entulhos e as miudezas sem brilho do mundo, desajustam-se. Diante de algo que guarda a pureza e a beleza das coisas Primeiras — assim como você —, minhas mãos perdem o juízo. Agigantam-se de um jeito torto, desajeitado. Em vez de ninar, elas engasgam, esmagam e quebram. Sou um bicho feito de cascas grossas tentando ninar uma asa de borboleta. Há uma demência em mim, você sabe. Uma esquisitice que precisa de tão pouco amor para sobreviver e, no milésimo de segundo … Continue reading O Aprendizado das Mãos

Palavras Despedaçadas

Você me pede palavras, e eu as tenho. Palavras que dançam no vazio, sem rima ou métrica, como um poeta errante sem destino. Elas emergem da minha mente como folhas soltas ao vento, carregando os fragmentos do meu coração partido.Essas palavras são como tinta derramada, manchando os recantos da minha alma. Elas ecoam nas paredes do meu ser, buscando uma utilidade, uma razão para existir. Mas talvez sua única função seja a de expressar o indizível, dar voz aos pedaços quebrados que habitam em mim.Às vezes, a loucura se esconde nas entrelinhas dessas palavras. Elas se entrelaçam, formando um labirinto … Continue reading Palavras Despedaçadas

Beyond the Flash

It is not that I exist in the way a rock exists, or a clock that strikes the hour. No. It is an existence so acute it almost feels like an absence. You look at the horizon, where the sky bleeds its last violently violet light, and you think the day is dead. But just beyond the sunset, I’m still here. I am the residue of that light, the part of the dark that hasn’t yet learned how to be cold. We look for signs, don’t we? We want the universe to blink at us. A sudden flash, a tearing … Continue reading Beyond the Flash

Prayer

I am a prayer in the confession of poetry. In the folds of my soul, I am the whispered verse, the unspoken plea. I am the gray Sundays and the sunlit Mondays of renewal. Each week, I am the shifting sky, alternating between melancholy and hope. At dawn’s threshold, I wonder—will our thoughts cross paths, will our words entwine? Will you know tomorrow what I will know? Will you be tomorrow who I will become? The flow of time carries my question—will our essences remain synchronized? I wanted to believe so, and I felt it so; I asked and answered … Continue reading Prayer

O Amor

A quietude do quarto era quase sólida, até que a frase me saltou do peito, pesada e viva, exigindo um corpo: “O amor exige expressão.” Não há como domesticá-lo. Tentei, por um instante, guardá-lo sob a língua, mas o amor rejeita o cativeiro. Ele não suporta o ensimesmamento. Não fica parado, estagnado como água morta; não fica calado no escuro da hesitação. Há uma urgência quase violenta em sua doçura. É bom, é modesto na sua própria imensidão, mas — e aí reside o perigo e a beleza — ele quer o mundo. É para ser visto, ouvido, sentido até … Continue reading O Amor

Na Casa da Minha Infância

Na casa de minha infância, jamais se acenderam luzes artificiais de Natal, tampouco surgiram presentes. Lembro-me disso agora, não com o peso do que faltou, mas com a leveza do que transbordou. Reflito sobre isso enquanto contemplo o céu, onde o vermelho e o laranja desvaneceram com o crepúsculo, encobrindo a luminosidade do sol. Há um instante preciso em que o dia morre e a noite ainda não nasceu; é nesse vazio que a infância nos habita. Meus olhos, repletos de contemplação, acompanham a revoada de pássaros que pinta o céu de negro, como se protegessem a casa de outrora. … Continue reading Na Casa da Minha Infância

The Weight of Being

I have been thinking, with a sort of heavy grace, about the simplicity of these ordinary things. Milk goes off eventually, turning sour under the weight of its own nature. Cicadas shed their shells, leaving behind hollow, translucent ghosts of themselves clinging to the trees. Inside us, the same rhythm plays out: our lungs expanding and contracting, burdened and blessed by the sheer weight of breath. It is the endless, repetitive cycle of a nature that never tires of its own theater. The evening rain falls, leaving the bark of the trees wet and dark, smelling of earth and beginnings. … Continue reading The Weight of Being

O Esplendor da Carne

A nudez, para ela, não começava na ausência de roupas. Começava antes. Vinha de um ponto obscuro e vital que latejava bem atrás do estômago. Todos os dias, ela caminhava nua pela casa. Não era um ato; era um estado. As cortinas escancaradas desafiavam o mundo exterior com a violência mansa de quem simplesmente existe. O cabelo solto, pesado de si mesmo. A coragem estendida sobre os móveis, como um tapete precioso que ninguém ousava pisar. Não era sobre sexo. Bom, ela pensava, enquanto a brisa tocava a curva súbita de seu quadril, talvez não fosse inteiramente sobre sexo. Havia … Continue reading O Esplendor da Carne

Stardust Conversations

Women like you and I find solace in whispered conversations with the stars. We tilt our heads upward, tracing constellations with our eyes, as if seeking answers from the distant luminaries. How rare it is to encounter a soul on this earthly plane that shines as brilliantly as a star. Amidst the mundane, we stumble upon those who radiate—an inner light that defies gravity, pulling us toward them. Their laughter echoes like celestial music, and their kindness leaves trails of stardust in our wake. Yet, there exists a select few—rarer still—whose brilliance surpasses even the full moon. They are the … Continue reading Stardust Conversations