O Peso Vivo do Sentir
Olho para as minhas mãos e vejo nelas o mistério do mundo. Entre os dedos, sempre tive um relacionamento avassalador com a matéria das coisas. Viver nunca me foi um ato abstrato; foi sempre uma urgência tátil. O tato, o simples roçar… através dele, comuniquei verbos indizíveis e sujeitos inexistentes com palavras puramente humanas. Há uma linguagem silenciosa na carne que a gramática inveja. Com a ponta dos dedos, numa audácia que me assusta e liberta, toquei o céu e a terra, oscilando sem redes de proteção entre a alegria mais pura e a mais profunda desespero. Não há neutralidade … Continue reading O Peso Vivo do Sentir