Words to keep inside my pocket. Ah, what a strange and heavy pocket I carry within my chest…

Sometimes, the world is too loud, and I find myself becoming quiescent—just a quiet, soft-spoken soul, hiding in the corner of my own existence, breathing softly so as not to disturb the dust motes dancing in the light. Why do we invent things that hurt us? We build chimerical dreams out of thin air, merely imaginary, fanciful little traps that we walk into willingly, just to feel the sting of something unreal. And then, silence falls. No, not silence—a susurrus, a whispering or rustling sound of dry leaves or forgotten secrets brushing against the walls of the mind. Who am … Continue reading Words to keep inside my pocket. Ah, what a strange and heavy pocket I carry within my chest…

Sobre a delicadeza das coisas que sangram lentamente

Desculpe-me se, às vezes, minhas respostas parecem tolas, quase infantilescas na sua urgência de existir. É que eu cansei. Estou terrivelmente entediada com essa arquitetura de mentiras polidas que chamamos de mundo. O falso me pesa como um casaco de chumbo no verão. Mas, se você quiser ver o meu lado sério — aquele que não tem medo do escuro —, se quiser testemunhar meus olhos brilhando com o assombro de quem ainda respira, não me pergunte sobre as coisas úteis. Não me pergunte sobre o lucro, o cálculo ou a eficácia dos dias. Pergunte-me sobre o amor. Pergunte-me sobre … Continue reading Sobre a delicadeza das coisas que sangram lentamente

Reflections on Mortality

Do not weep when I am gone, for I will no longer hear your cries. Even if you scream outside, your despair will be invisible to me. In death, do not seek my forgiveness, for I cannot grant it. Once in the cold drawer, I cannot respond. Do not bring me flowers, for I cannot smell them. The colors do not matter, for I cannot see them. Do not regret in my absence. Do not regret my departure. Let your conscience be at peace, for I will no longer have mine. You cannot change things. You cannot improve the future. … Continue reading Reflections on Mortality

Cleansing the Soul

Amidst the quietude of a sun-dappled morning, I embarked on a peculiar ritual—a cleansing of the intangible. Armed with metaphorical soap and water, I stood at the threshold of my mind, ready to scrub away the residue of yesteryears. First, the dreams. Those fragile, ephemeral things that once clung to my consciousness like morning dew on petals. I lathered them in suds, watching as they dissolved, swirling down the drain. Plans, too—they slipped through my fingers, leaving only a faint scent of possibility. Next, memories. Some were like old photographs, sepia-toned and faded, while others were vivid and sharp, capable … Continue reading Cleansing the Soul

A Mesa Inegociável

Não me associo com fascistas, com bolsonaristas, com homofóbicos, xenofóbicos e sionistas. A barreira está posta na fronteira da dignidade humana, onde não cabe negociação com o retrocesso, com o ódio institucionalizado ou com a apuração da violência contra o outro. Não me sento à mesa com quem não gosta de compartilhar, quem não acredita na caridade, quem não alimenta o outro, seja com gentileza, compaixão e esperança ou com o pão de cada dia. A vida coletiva exige comunhão; mesa farta é mesa dividida, e quem guarda para si o sustento ou nega o afeto empobrece a alma de … Continue reading A Mesa Inegociável

Dias melhores…

Tentei conter-me nos momentos de tristeza, mesmo que as lágrimas tenham banhado meu rosto. Tentei não deixar aflorar as amarguras sofridas. Busquei não ser amparada, para reerguer-me com o resto de força que ainda existia em mim. Cedi a alguns caprichos, comprei alguma coisa supérflua para tentar fugir de mim mesma. Agarrei-me a alguns sonhos, mesmo que não os tenha realizado. Tentei equilibrar minhas razões e emoções, mesmo que não tenha conseguido. Enganei-me mais uma vez, porque achei que havia encontrado a pessoa certa. Busquei e muito a esperança, mesmo com os olhos turvos. Levei a verdade para alguns recantos, … Continue reading Dias melhores…

Sob a Imensidão do Cosmo

Sinto uma paralisia sutil, quase dócil, diante deste céu imenso e do ar que gela a pele por dentro. Você se lembrará de mim? Do meu pequeno tudo diante da vastidão muda do cosmos? O que escreverás sobre o meu corpo, quais são os desenhos que as nossas imaginações traçam na carne, quais constelações inventamos para não sentirmos tanto frio? Andamos sem rumo pelas estradas de terra em busca daquilo que chamamos de identidade — talvez seja aí, nesse passo incerto, que o seu caminho cruze o meu. Mas a vida não se sustenta de “talvezes”. Não há substância alguma … Continue reading Sob a Imensidão do Cosmo

Les échos du premier rendez-vous

Il pleuvait ce jour-là sur Paris, une pluie fine et complice qui collait les mèches rebelles de mes quinze ans au front. J’avais les genoux marqués par les trottoirs de mon enfance et le cœur entièrement blanc, vierge de toute tempête. C’était le temps des premières peines, celles qui font trembler les mains et retenir son souffle. Du plus loin, que me revienne l’ombre de mes amours anciennes… En y repensant, j’ai le sourire aux lèvres. Était-ce de tendres amours de gosse, des bluettes d’enfants précoces, ou déjà la morsure féroce d’un amour fou ? Difficile de démêler le vrai … Continue reading Les échos du premier rendez-vous

Poeta Torta

Versava ela sobre verdades esquecidas pelo próprio coração — aquele que, em dias passados, inspirava perfumes.Desejava a salvação do outro, mesmo sendo ela quem se perdia.Secava lágrimas com palavras no rosto alheio, enquanto se afogava nas próprias. Contou tantas histórias a si mesma que se perdeu no enredo.Salvou finais de muitos mocinhos, embora se sentisse a vilã torpe. Fez-se poeta, enfeitada de ilusões, já incapaz de distinguir os carnavais de fantasia dos dias de branco.Pelos contos falsos e estórias mal contadas, azedou narrativas e feriu com rimas. Agora, passeia de mãos dadas com a tristeza, atendendo aos seus caprichos como … Continue reading Poeta Torta

A Alquimia das Palavras e dos Sentimentos

Havia um rio preso no peito, não de água parada, mas de correnteza espessa, daquelas que arrastam o que encontram pela frente feito uma pororoca. Escrevia. Escrevia não para se aliviar, como quem se livra de um peso inútil, mas para sustentar a dor com uma esperança quase cega. Ela sabia, com um instinto ancestral e doloroso, que a angústia não se mata. Matá-la seria extinguir o sinal vital, a rota secreta que nos salva e nos arremessa num voo ontológico. O sofrimento era a prova irrevogável de que se estava viva. Enfeitiçada pelas palavras, essas criaturas vivas que mordem … Continue reading A Alquimia das Palavras e dos Sentimentos