A Fuga das Horas
Não sei como aconteceu, mas aconteceu. A vida, essa ladra silenciosa, não pediu licença. Ela não teve a delicadeza de bater à porta ou de avisar que estava de saída. Ela simplesmente se esvaiu. E, quando me dei conta — esse “dar-se conta” que é sempre tardio e um pouco amargo —, já eram três da manhã. Três da manhã é uma hora que não pertence a ninguém. É o deserto do tempo. E eu, aqui, sentada no meio deste silêncio que grita, percebo que me tornei um monumento de oitenta anos. Como foi que o mundo se tornou tão … Continue reading A Fuga das Horas