O Lado Frio do Travesseiro
Há dias em que a alma cansa do combate ininterrupto. O corpo pede o avesso da gravidade. Nesses dias, não escolho lutar para sempre; escolho apenas o gesto miúdo e quase clandestino de virar o travesseiro para o seu lado frio. Há uma volúpia secreta em render-se ao anonimato — esse vazio cinzento e indolor onde a existência deixa de doer porque deixa de ser. É o quase-nada. Mas existir é uma matéria persistente. De repente, como um eco sussurrado no escuro do quarto, as memórias começam a agitar-se. Não são pensamentos, são presenças. Compromissos gravados não na agenda, mas … Continue reading O Lado Frio do Travesseiro