O Avesso do Espelho
Agarrei-me a ilusões como se pudessem repousar no horizonte — mas o horizonte, sabe-se, é uma linha que foge quando a gente se aproxima. É o cansaço de ser eu que me faz assim: mestre em transmutar o insuportável. Transformo mentiras em verdades, ou pesadelos em sonhos bons, apenas porque a crueza das coisas me queima os olhos. É quase um milagre doméstico, essa alquimia de sobrevivência, mas que cobra o seu preço na carne. Encanto-me com tantas reflexões e esqueço quem sou. Perco-me no labirinto dos meus próprios pensamentos, esses bichos soltos que me habitam. Olho para a parede … Continue reading O Avesso do Espelho