O Alívio do Vazio e o Desejo da Simples Calma
Eu era ali, uma estaca fincada no entretempo, e o vento, essa substância fina e urgente, decidia atravessar-me. E o fazia sem cerimônia, com uma indiferença que, veja bem, era quase um bálsamo. Não era um abraço, longe disso. Era uma permissão para a leveza, um atestado de que, por um instante, eu não era mais densa que o ar que me vazava. Testemunhar essa passagem, o roçar da invisibilidade em mim, prometia, ou ao menos parecia prometer, um ínfimo alívio. O suspiro veio, baixinho, quase um murmúrio que se recusava a ser som. Era um risco calculado, eu sei. … Continue reading O Alívio do Vazio e o Desejo da Simples Calma