A dor, atriz implacável, assume o centro do palco no teatro da vida. Veste muitas máscaras — cada uma mais assombrosa que a anterior. É o sorriso tenso que oculta uma tempestade, o coração curvado sob pesos invisíveis, o nó que se contorce e se revira dentro do peito. Sua presença é inegável; seu domínio, inabalável.
No entanto, a dor não é apenas antagonista. É força que enferruja e envelhece, desarmando-nos com seu poder bruto. Deixa marcas indeléveis, imprimindo em nós as profundezas da vulnerabilidade. Mas, em seu rastro, também traz recuperação e alívio. Cresce, desmamando-se das sombras, permitindo-nos emergir mais fortes, mais resilientes.
O valor da dor reside em sua persistência. Pode demorar, mas nunca falha. Para o poeta, é companheira constante — musa que dá vida às palavras. É por meio dela que o poeta encontra sua voz, seu propósito. E, no fim, a dor, por mais implacável que seja, nos conduz a um amor sem fronteiras — um amor que transcende a própria essência do sofrimento.
© Beatriz Esmer
